Depressão – Reconhecer e tratar

Depressão – Reconhecer e tratar
Os mitos sobre a depressão
- A depressão é uma doença, não fraqueza de caráter, nem apenas tristeza passageira.
- Quem está deprimido não está “louco” nem inventa sintomas.
- A depressão tem tratamento e recuperação na maioria dos casos, mas exige acompanhamento profissional.
- Afeta todas as idades e perfis.
- Causa alterações químicas e funcionais no cérebro, afetando neurotransmissores.
- Fatores ambientais, genéticos, biológicos e psicossociais aumentam o risco.
- Alguns medicamentos podem desencadear sintomas depressivos.
- Abuso de álcool e substâncias aumenta risco e dificulta tratamento.
- Mudanças hormonais (menopausa, pós-parto) podem desencadear episódios.
- Medicamentos não substituem psicoterapia, fundamental para resolução emocional.
Sintomas da depressão
- Tristeza persistente, humor deprimido, irritabilidade, sensação de vazio
- Desesperança, pessimismo
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
- Perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente apreciadas (anedonia)
- Isolamento social
- Alterações do sono (insónia ou sonolência excessiva), alterações do apetite (perda ou aumento), fadiga intensa, lentidão ou agitação psicomotora
- Dificuldade de concentração, memória e tomadas de decisão
- Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio (é imperativo pedir ajuda imediatamente!)
- Sintomas físicos como dores de cabeça, distúrbios digestivos, dor crónica ou perda de energia sem causa aparente
Se identificar 5 ou mais destes sinais, a consulta a um profissional de saúde é essencial. Sintomas podem surgir após eventos traumáticos, desaparecendo após ajustamento. Existe também depressão sazonal, comum em períodos de menor luz solar, relacionada a alterações de melatonina e serotonina.
Deve procurar ajuda profissional imediatamente em caso de pensamentos suicidas.
Tipos de depressão
- Depressão major (transtorno depressivo maior): sintomas intensos, duração ≥ 2 semanas, interferem nas funções pessoais, sociais e laborais.
- Distimia (transtorno depressivo persistente): sintomas moderados, mantidos durante 2 anos ou mais.
- Depressão sazonal: relacionada com menor luminosidade (outono/inverno), alterações nos ritmos biológicos e síntese de serotonina/melatonina.
- Depressão secundária: associada ao uso de certos medicamentos ou doenças crónicas. Carências de vitamina B6/B12 aumentam o risco.
Tratamentos atuais (2025)
A abordagem ideal combina psicoterapia e medicamentos antidepressivos. A medicação reequilibra neurotransmissores, mas é a psicoterapia que trabalha fatores emocionais e sociais.
Objetivos do tratamento
- Reduzir sintomas, restaurar função quotidiana, prevenir recaídas e melhorar qualidade de vida.
- Diminuir risco suicida.
Medicamentos Antidepressivos (mais eficazes – dados de 2025)
- ISRS: primeira linha (fluoxetina, sertralina, escitalopram, citalopram). Eficazes, bem tolerados, usados de manhã.
- Antidepressivos tricíclicos: (ex: amitriptilina). Eficazes, mais efeitos adversos, indicados para casos graves.
- Duais (IRSN): (ex: venlafaxina, duloxetina). Atuam sobre serotonina e noradrenalina.
- Bupropiona: eficaz em depressão, ajuda no controlo do tabagismo e manutenção do peso.
- Mirtazapina: ajuda a dormir, aumenta o apetite.
- Escetamina intranasal: aprovado em 2025 em Portugal para depressão resistente, administrado em contexto hospitalar.
A escolha do medicamento depende do perfil do paciente, sintomas, comorbilidades e história familiar.
- Ajustes de dose devem ser feitos gradualmente, nunca interrompa abruptamente.
- Medicamentos podem demorar algumas semanas até fazerem pleno efeito.
- Sempre reportar ao médico efeitos indesejados, sobretudo ideação suicida em início de tratamento.
Psicoterapia
Fundamental em todos os tipos de depressão — terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia interpessoal, apoio psicossocial.
Terapia eletroconvulsiva
Utilizada em depressão severa resistente ou risco vital, sob supervisão médica no hospital.
Tratamentos complementares
- Estilo de vida: alimentação equilibrada, exercício regular, sono de qualidade, evitar álcool/substâncias.
- Suplementos: ômega-3, vitaminas do complexo B, magnésio — úteis como coadjuvantes, mas não substituem medicamento.
- Exposição solar diária e atividades prazerosas ajudam na recuperação.
- Em casos selecionados, uso de psicadélicos como escetamina pode ser indicado em ambiente hospitalar para depressão resistente.
Nota Final
Contacte um profissional de saúde nos primeiros sinais.
Informe-se e mantenha-se atento ao seu bem-estar e ao dos que o rodeiam.


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